“Lula é o nosso candidato a presidente em 2018. Não tem outro plano”. diz Gleisi Hoffmann

 

Marco Weissheimer

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quinta-feira (9), em Porto Alegre, que Luiz Inácio Lula da Silva é o candidato do partido à presidência da República em 2018 e que não existe nenhum plano B. Segundo ela, mesmo que o Tribunal Regional Federal da 4a. Região (TRF4) confirme no ano que vem a sentença de primeira instância do juiz Sérgio Moro condenando Lula, ele será candidato. “O registro da candidatura será feito no dia 13 de agosto. Mesmo que o TRF4 confirme, em segunda instância, a sentença de Moro, teremos ainda todo o processo de embargos e o recurso ao Supremo Tribunal Federal, que já tem várias decisões autorizando candidatos condenados em segunda instância a concorrer. Lula é o nosso candidato a presidente em 2018. Não tem outro plano”, disse a senadora paranaense durante o ato de lançamento do programa “O RS e o Brasil que o povo quer”, que também contou com a participação de Dilma Rousseff.

O “Brasil que o povo quer” é uma plataforma digital criada em parceria com a Fundação Perseu Abramo com o objetivo de incentivar a participação da sociedade na elaboração de um programa de governo para o País. No ato realizado no Hotel Embaixador também foi lançada a versão regional do programa, “O RS que o povo quer”. Na abertura do encontro, o presidente estadual do PT-RS, deputado federal Pepe Vargas, anunciou que o Diretório Estadual do partido decidiu, em reunião realizada nesta quinta-feira, apresentar uma proposta de calendário político que deverá definir uma pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul para dialogar com as demais forças políticas do campo democrático popular. “O objetivo é construir uma candidatura unificada desse campo aqui no Estado”, disse Pepe Vargas.

Pepe Vargas anunciou que PT gaúcho definiu calendário político e apresentação de uma pré-candidatura para dialogar com demais forças de esquerda do Estado. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Além da apresentação da nova plataforma digital, o ato teve depoimentos de lideranças sindicais, de movimentos sociais e de beneficiários de programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Prouni. “Neste debate sobre a construção de um novo programa para o Rio Grande do Sul e para o Brasil nós não partiremos do zero”, salientou o presidente do PT gaúcho. “Temos as ricas experiências dos governos Olívio Dutra e Tarso Genro e dos governos Lula e Dilma para nos inspirar”. Além de receber sugestões e propostas da sociedade para a construção de políticas de governo, o PT também anunciou que pretende construir um diagnóstico da crise nos próximos meses a partir de um amplo diálogo com outras forças políticas, sindicatos, movimentos sociais, estudantes e intelectuais.

Além de afastar a possibilidade de um “plano B”, caso a sentença de Moro seja confirmada em segunda instância, Gleisi Hoffmann falou sobre a política de alianças que o PT deve adotar em 2018. “Não levem a sério esse tititi que foi veiculado nos últimos dias pela imprensa dizendo que vamos fazer alianças com o PMDB e outros partidos golpistas. A nossa intenção é construir uma frente de centro-esquerda reunindo todas as forças e lideranças políticas que lutaram contra o golpe e seguem lutando em defesa da democracia e dos direitos que estão sendo atacados pelo governo Temer”, afirmou.

A senadora admitiu, por outro lado, que há algumas diferenças regionais que devem ser levadas em conta, citando os casos de Roberto Requião no Paraná e de Kátia Abreu no Tocantins, como exemplos de lideranças que estão filiadas em partidos que apoiaram o golpe, mas que lutaram e seguem lutando contra o mesmo. Gleisi Hoffmann também mencionou a situação política no Nordeste, onde políticos de partidos que apoiaram o golpe vêm manifestando disposição em apoiar o candidato do PT. “Lula tem 70% das intenções de voto em Pernambuco, tem cerca de 68% em Alagoas, e assim por diante. Vocês acham que os políticos nordestinos vão querer brigar com Lula?”, assinalou.

A senadora citou o PDT e o PCdoB como aliados preferenciais, defendeu o direito e a legitimidade desses partidos apresentarem candidaturas e disse que o PT está conversando com setores do PSB que não apoiaram o golpe e que estão começando a retomar o controle do partido.

A presidente nacional do PT criticou o comportamento da classe dominante brasileira, observando que a articulação do golpe que ela promoveu, reafirma um padrão histórico de sua ação no Brasil. “A classe dominante brasileira nunca teve um projeto de nação, sempre foi extrativista e preocupada só com seus ganhos de curto prazo. Nunca teve compromisso com a democracia nem com o povo brasileiro. Ela repete esse comportamento mais uma vez agora, patrocinando retrocessos em uma escala e velocidade assustadoras. Nós vamos voltar a ter trabalhadores ganhando menos que um salário mínimo, com a adoção do trabalho intermitente. O orçamento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) teve um corte de 97% para 2018. Essa situação de desmonte faz parte do atual momento do capitalismo internacional e eles não vão ceder. Nossa tarefa central é lutar contra isso, junto com outras forças de esquerda e centro-esquerda. Temos uma responsabilidade muito grande com o povo brasileiro”.

Dilma Rousseff: “Golpe de 2016 representou um rompimento com a conjuntura aberta no processo de redemocratização”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Após a fala da dirigente nacional do PT, Dilma Rousseff atualizou o significado do golpe e suas implicações no presente político do país. Segundo ela, o golpe de 2016 representou um rompimento com a conjuntura aberta no processo de redemocratização, pós-ditadura. É um rompimento que, ao mesmo tempo, é um processo ainda em curso. “O golpe não se esgotou no impeachment. Ele tem vários atos e uma composição complexa. Fui eleita em novembro de 2014 e em março de 2015 eles já estavam articulando o impeachment. Isso não nasceu de algumas cabeças do PMDB, mas sim da chamada elite brasileira. Em 2005, eles já fizeram um ensaio para isso, na crise do chamado mensalão. Acharam que iríamos sangrar e perder a eleição seguinte, mas nós ganhamos. Eles aprenderam a lição e decidiram aplicar a receita de Milton Friedman: aproveita uma crise econômica e a transforme em uma crise política, de forma que o politicamente inaceitável torne-se aceitável.”

O golpe foi dado, acrescentou Dilma, com a acusação de que “estávamos desperdiçando o orçamento público com o povo brasileiro”. “Subsídio, para o neoliberalismo, é crime. De fato, com todos os limites que enfrentamos, nós tocamos na questão da riqueza em três pontos principais: criamos políticas para que as pessoas tivessem acesso à terra e à casa, o que representa patrimônio; investimos na educação, abrindo portas e interiorizando universidades e institutos federais pelo país, o que representou dar um futuro para quem não tinha nenhum; e, em terceiro lugar, tivemos uma política de aposentadoria garantindo, para aqueles que trabalharam a vida inteira, uma proteção para quando não pudessem mais trabalhar”.

“Estávamos fazendo milagre porque o Brasil não tem estrutura tributária para fazer uma redistribuição de renda mais profunda”, disse ainda Dilma que defendeu a necessidade de o PT abraçar esse debate sobre a política tributária. “O que temos hoje é uma redução da carga tributária sobre os ricos e o aumento dessa carga sobre as costas da classe média e dos trabalhadores. Quem é que paga imposto no Brasil? Trabalhadores e classe média. O Brasil e a Estônia são os únicos países do mundo que não tributam dividendos. É difícil colocar esse debate em pauta, mas precisamos fazê-lo. Não há como combater a exclusão e o privilégio sem abordar essa agenda”, concluiu.

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Foto: Guilherme Santos/Sul21
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